terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ingenuidade

Vi um rapaz . Era pequena e nova , ingénua , não sabia o que era o amor e vi um rapaz . Ele viu-me e sorriu ; amável e simpático como parecia ser , sorriu . Eu vi-o e sorri ; ingénua e nova como era , sorri . No dia seguinte voltei a vê-lo . Ele viu-me , sorriu . Eu vi-o , sorri . Era nova e ingénua , os dias assim passaram ; considerei-me apaixonada . E então , escrevi :
- Gosto de ti . Tens um sorriso bonito . Tu olhas para mim e sorris . Gosto de ti .
Como nova e ingénua que era , beijei o texto , encostei-o ao peito e disse 'isto é o meu amor' .
Voltei a vê-lo . Desta vez ele não sorriu . Com pesar , cheguei-me a ele . Nervosa , dei-lhe aquele pedaço de papel rasurado e esperei . Esperei que ele sorrisse . Ele não sorriu .
Olhou para mim , meteu a mão no meu ombro e , com o olhar mais carinhoso de sempre , disse 'óh pequena , tenho idade para ser teu pai ' . Eu respondi 'Eu sei , gosto de ti . Como pai .' .
Ele , atrapalhado , perguntou 'o teu pai ?' e eu , com muita ingenuidade , típica da idade , respondi 'boa pergunta , senhor.'
O meu pai ?

3 comentários:

  1. Hmm.. Final inesperado. Está simples, bonito, e com uma mensagem forte. Gostei muito :)

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